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Bate Papo
Claudia Pinho
Nome: Claudia Pinho
Nome de doutora palhaço: Punderosa Clautaflan Fon Fon
Idade: 39 anos - Psicóloga
O que te fez participar desse tipo de trabalho?
Na verdade faço voluntariado desde bem pequena. Dos mais variados tipos de trabalho. Inclusive aos 8 anos, fiz até uma apresentação num circo que estava em temporada na cidade onde eu morava. Souberam do trabalho que as freiras faziam nas comunidades carentes, foram conhecer e então nos convidaram para fazer uma apresentação e divulgar nosso trabalho. Dois dias antes da apresentação ao “respeitável público”, quebrei meu braço...e quem foi que disse que isso foi impedimento? Bom somente para quem não é apaixonado pela vida né, eu amei, e sem querer fiz o diferencial na noite, pois o que mais nós ouvimos, eram as crianças e adultos gritando: -Olha o palhaço de braço quebradoooo, olha o palhacinho de gesso rsrsrs ao final do espetáculo, para minha surpresa, muitos vieram se certificar se era gesso de fato e para tirar fotos comigo. O voluntariado é a minha vida!
Qual é a maior satisfação em fazer voluntariado?
Ser voluntário é uma relação humana, rica e solidária. Não é uma atividade fria, racional e impessoal. É relação de pessoa a pessoa, oportunidade de se fazer amigos, viver novas experiências, conhecer outras realidades. É uma via de mão dupla, doamos nossa energia e criatividade mas ganhamos em troca contato humano, convivência com pessoas diferentes, oportunidades de aprender coisas novas, satisfação de nos sentirmos úteis. Ao doarem sua energia e sua generosidade, os voluntários estão respondendo a um impulso humano básico: o desejo de ajudar, de colaborar, de compartilhar alegrias, de aliviar sofrimentos, e no caso de doutores palhaço, resgatando ainda a essência lembrando que ela ainda é criança por mais grave que seja o estado clínico dela e doando ainda o mais belo dos sentimentos: o AMOR.
Para você qual é a importância do trabalho voluntário?
Vejo o voluntariado como multiplicadores de amor, carinho, respeito, responsabilidades entre outros. Todos podem ser voluntários. Não é só quem é especialista em alguma coisa que pode ser voluntário. Todas as pessoas tem capacidades, habilidades e dons. O que cada um faz bem pode fazer bem à alguém. Penso que o voluntariado implica em aprender a viver um dia de cada vez e quando se trata de palhaços de hospital, isso vai muito mais além, ampliando o olhar sobre o verdadeiro significado de palavras como dor, vida, resistência, luta. Quem se propõe a trabalhar como voluntário pode ter certeza de que, no seu ato de doação, ganha muito mais a cada sorriso recebido, a cada brilho no olhar de alguém que até pouco antes estava chorando. Mas é preciso fundamentalmente de humildade. Quem deve brilhar ali é a nossa majestade a criança, não nós.
Como você vê a importância do trabalho do Doutor Palhaço?
Diante da constante evolução da medicina e de formas de tratamento os palhaços no ambiente hospitalar funcionam como colaboradores, para alterar a qualidade dos temores da criança e sua percepção da realidade por meio da transformação do uso das seringas e outros equipamentos médicos e de enfermagem. Não importa a situação em que eles se encontrem, o importante é transmitir o amor e o carinho, porque estes sim, podem atravessar qualquer barreira e chegar a quem precisa. No CTI por exemplo, que é um lugar de silêncio, é ao mesmo tempo um lugar que nos leva a um encontro espiritual e silencioso com cada criança, bolinhas de sabão soltamos com a certeza que cada um deles sentiu a nossa presença. Ao soltar as bolinhas de sabão, o aspecto do ambiente sempre muda, aparentando um lugar mais alegre e com um clima menos pesado. Um dos efeitos das bolinhas é que as crianças se alegram quando vêem e querem pegar, chegando a querer sair da cama.
São com certeza, experiências única na vida de cada doutor palhaço. Não existe rotina, pois cada visita realizada é um aprendizado diferente. É incrível como relatos de experiência sobre a presença do palhaço no hospital mostram o efeito positivo deste trabalho desencadeando sorrisos e alegria não só nas crianças, como também surte efeito extensivo aos pais e funcionários do hospital, melhorando inclusive a comunicação e diminuindo a ansiedade.
Conte uma história que te sensibilizou/te marcou nesta trajetória.
Tem várias histórias, até pq cada visita é uma em especial sempre, e com particularidades muitas das vezes indescritíveis. Não sei, talvez possa relatar sobre uma visita realizada pela Dra. Pun(eu) e Dra. Ursa numa manhã de 25 de dezembro, onde as ruas, os corredores e elevadores do hospital eram desertos. Brincavámos na brinquedoteca do CETOHI com as poucas crianças que ali estavam com suas mãezinhas, eu dançava, cantando e rodopiando com minha ultra mega linda sombrinha colorida, quando vi adentrando uma criança numa cadeira de rodas, de lencinho, com o soro dela como companheiro carregado pela mãe, e vinha dançando, ou tentando se mexer como poderia. Ela soube que havíamos chegado, então quis ir até onde estávamos para nos ver. Quase não contive a emoção, pois eu sabia da situação daquela criança. Estava o tempo todo restrita ao leito, não saia pra nada, quase não conseguia caminhar, e sua maior atenção era voltada ao choro devido a dor que sentia, e de repente, eu a vejo ali na minha frente, dançando comigo da forma que ela podia, na sua limitação. Onde foram parar naquele momento suas dores, suas tristezas, seu choro? Não sei...só sei que ela parou a cadeira à minha frente, e se levantou para dançar comigo, me estendeu as mãos e se pôs a sorrir, dançar, gargalhar. Foi lindo! E se disse emocionada por estar dançando com a Dra Pun no dia de Natal, e ao final da nossa música, segurava forte minha mão e me abraçava, abraçava, abraçava. Quando nos despedimos foi evidente o adeus com pesar nos olhinhos e com aquele questionamento: Vocês voltarão???

